Para evitar um ataque de ransomware na empresa, comece por três medidas: backup offline e testado, sistemas sempre atualizados e autenticação em dois fatores nos acessos remotos. Elas não eliminam o risco, mas reduzem muito a chance de o ataque funcionar e, principalmente, o estrago se ele acontecer.

Ransomware é um tipo de programa malicioso que criptografa os arquivos e torna inutilizáveis os sistemas que dependem deles. Em seguida, os criminosos pedem dinheiro para devolver o acesso, como descreve a CISA, agência de cibersegurança dos Estados Unidos.

Por que o ransomware preocupa tanto?

Segundo a IBM, que cita seu índice X-Force de 2023, 20% dos ciberataques registrados naquele ano envolveram ransomware. O mesmo material aponta que os invasores levaram menos de quatro dias entre obter acesso à rede e instalar o programa, e registra queda de 11,5% nas infecções entre 2022 e 2023, atribuída a uma detecção melhor.

Esses números vêm de um levantamento mundial e não dizem quanto risco a sua empresa corre. O ponto útil é outro: o intervalo entre a invasão e o bloqueio dos arquivos é curto, e pouca empresa pequena percebe alguém circulando na rede durante esse tempo.

O que fazer para reduzir o risco?

O guia da CISA é longo, mas boa parte dele cabe nesta lista:

  1. Backup offline e criptografado: a CISA insiste nisso porque muitas variantes procuram e apagam as cópias acessíveis pela rede. Uma cópia sempre conectada pode ser atingida junto.
  2. Teste de restauração: backup que nunca foi restaurado é uma aposta. Faça o teste em períodos definidos e anote quanto tempo leva.
  3. Atualizações em dia: sistema operacional, programas e servidores expostos à internet primeiro.
  4. Dois fatores nos acessos: principalmente VPN, área de trabalho remota, e-mail e painéis de administração.
  5. Menos privilégios: o usuário do dia a dia não precisa ser administrador da máquina.
  6. Treinamento curto e frequente: muitos ataques entram por um e-mail bem escrito, com anexo ou link falso.

Se puder fazer só uma coisa nesta semana, comece pelo backup. Nosso texto sobre backup de banco de dados mostra como organizar as cópias e o teste.

O que fazer se a empresa for atacada?

O impulso é reiniciar tudo ou pagar logo. Nenhum dos dois costuma ajudar. Uma sequência mais segura é:

  • Isole as máquinas atingidas: desconecte da rede, sem desligar se puder, para preservar evidências.
  • Acione quem responde pela TI e o jurídico: se houver dados pessoais envolvidos, a LGPD fixa prazo para comunicar a ANPD.
  • Proteja os backups: confirme que as cópias offline estão intactas antes de conectar qualquer coisa.
  • Registre o que aconteceu: horários, mensagens de resgate, sistemas afetados.
  • Restaure em ambiente limpo: colocar o backup de volta em uma rede ainda comprometida traz o problema de volta.

Vale a pena pagar o resgate?

A Cartilha de Segurança do CERT.br alerta que o pagamento do resgate não garante a recuperação dos dados. Além disso, quem paga financia o próximo ataque e pode virar alvo de novo. A decisão, em caso extremo, envolve jurídico e direção da empresa, e fica muito mais fácil quando existe backup confiável.

Por onde a pequena empresa deve começar?

A própria CISA lembra que pequenas empresas têm informações valiosas e costumam ter menos recursos para se proteger. Por isso, a ordem importa mais do que comprar ferramenta cara:

PrioridadeAçãoCusto típico
PrimeiraBackup fora da rede e teste de restauraçãoBaixo
SegundaDois fatores no e-mail e nos acessos remotosBaixo
TerceiraAtualizações e retirada de sistemas sem suporteMédio
QuartaRevisão de permissões e segmentação da redeMédio

Sistemas muito antigos, que já não recebem atualização, são uma porta aberta difícil de fechar sem mexer neles. Nesse caso, a modernização de sistemas legados também é uma medida de segurança. Se o seu ponto de maior exposição é o site, vale olhar o monitoramento e segurança para WordPress da União Soluções.

Perguntas frequentes

Antivírus sozinho evita ransomware?
Ajuda, mas não basta. Muitos ataques usam senhas roubadas ou falhas sem correção, e por isso backup, atualizações e dois fatores precisam vir junto.

Backup na nuvem protege contra ransomware?
Pode proteger, desde que a cópia não fique sincronizada de forma que os arquivos criptografados substituam os bons. Mantenha versões antigas e pelo menos uma cópia isolada.

Empresa pequena é alvo de ransomware?
É. Muitos ataques são automatizados e procuram qualquer sistema vulnerável, sem olhar o tamanho do negócio.

Preciso avisar alguém se sofrer um ataque?
Se houver dados pessoais em risco relevante, a LGPD exige comunicação à ANPD e aos titulares. O prazo geral é de três dias úteis, e vale envolver o jurídico logo no início.